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Brasil pode ter pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026

Análise do Cemaden aponta aumento da frequência e intensidade do calor, com impactos na seca, incêndios e preços dos alimentos.

Brasil pode ter pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026
Brasil pode ter pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026 (Foto: Reprodução)

O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número, porém, pode ser ainda maior caso o fenômeno El Niño se intensifique.


O levantamento considera dados de 47 anos de registros de temperatura e mostra que as ondas de calor estão mais frequentes e abrangentes no país. No último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, foram registradas nove ondas de calor entre agosto e dezembro, o maior número da série histórica iniciada em 1979.


Uma onda de calor não significa apenas um dia de temperatura elevada. O fenômeno é caracterizado por pelo menos três dias consecutivos com temperaturas máximas e mínimas excepcionalmente acima da média.


Segundo pesquisadores do Cemaden, o aquecimento dos oceanos e as mudanças climáticas podem contribuir para episódios mais frequentes, intensos e duradouros. As previsões para setembro já indicam temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro, com possibilidade de até 3°C acima do normal em algumas áreas.


Calor pode agravar seca e incêndios


Além do desconforto causado pelas altas temperaturas, o cenário preocupa pelos impactos ambientais. O calor favorece a perda de umidade do solo e pode agravar períodos de estiagem.


Dados do Índice Integrado de Seca, produzido pelo Cemaden, apontam que 157 municípios brasileiros já enfrentam situação de seca severa. Tocantins concentra o maior número de cidades nessa condição, com 50 casos, seguido pela Bahia, com 18.


O aumento das temperaturas também eleva o risco de incêndios. Atualmente, 560 municípios estão em alerta alto para risco de fogo, abrangendo uma área superior a 3 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de 35% do território nacional.


A região entre a Amazônia e o Pantanal está entre as áreas mais vulneráveis.


Impactos também podem chegar ao bolso


Os efeitos do El Niño não devem ficar restritos ao clima. O calor e a redução das chuvas podem afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos.


Um estudo citado na análise aponta que, em um cenário de El Niño forte, os preços de alimentos in natura, como carnes e hortaliças, podem subir 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio teria alta estimada de 6,32%.


Diante da possibilidade de um período de calor mais intenso, o alerta dos especialistas envolve não apenas as temperaturas, mas também os impactos sobre água, agricultura, incêndios, saúde e economia.

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